Tripé
Fotografando-se com uma objetiva de 50mm, a velocidade mínima indicada para
que a fotografia não fique tremida deve ser 1/60s. Na realidade é praticamente impossível,
na fotografia, parar o movimento de um objeto, pois este é contínuo e a fotografia registra
a luz em intervalos de tempo; ocorre que quanto menor for o intervalo de tempo e a
velocidade dos assuntos, maior será a nossa impressão de que os objetos foram
congelados no espaço e no tempo.
O problema se complica ao considerarmos que o pulso do fotógrafo pode não ser
firme o suficiente para segurar adequadamente o equipamento no momento do registro;
para o filme, todo o quadro se movimenta, de acordo com a instabilidade das mãos,
ocasionando imagens tremidas. No resultado final, a impressão é a de que não existe
foco em lugar algum do fotograma, mesmo que o fotógrafo tenha regulado adequadamente
a câmera. De forma prática, câmera estática fotografa um ambiente estático; câmera
tremendo registra o ambiente estático em movimento.
Para que a instabilidade das mãos do fotógrafo não ocasione imagens tremidas,
existe uma velocidade mínima que está relacionada à velocidade dos objetos e a distância
focal das objetivas; quanto maiores forem estes dois, maior deverá ser a velocidade mínima
do obturador. Usando-se uma objetiva de 24mm pode-se fotografar com velocidade 1/
30s; objetiva de 50mm, velocidade de 1/60s; objetiva de 120mm, velocidade de 1/180s.
Estes tempos mínimos de obturação também devem ser relacionados com a firmeza das
mãos; quanto mais trêmulas elas forem, menor deverá ser o tempo de obturação.
Os fotógrafos que não desejam se limitar às altas velocidades para registrar as
imagens, precisam de apoios para a fotografia, os quais podem ser conseguidos em
árvores, cadeiras, mesas, chão e outros, ou de monopés e tripés. Aqui surge um outro
problema: existem mais opções de tripés do que opções de câmeras fotográficas 35mm
que regulam abertura do diafragma e velocidade do obturador.
Os modelos mais simples e leves são muito eficientes para as câmeras compactas;
seguram equipamentos muito leves, regulados com velocidade de obturação e distância
focal adequados para mãos pouco firmes e para a fotografia amadora. Para estes
equipamentos, também existem algumas opções de tripé de mesa, com braços rígidos ou
flexíveis. Apoios que se fixam na porta de carro são adequados em muitas situações, mas
não devemos nos esquecer que os carros ligados trepidam.
Para escolher o modelo mais adequado, o indicado é levar o equipamento fotográfico
(câmera mais objetivas) na loja e testar o tripé nas condições de uso; deve-se levar em
consideração os fatores descritos abaixo:
1. Rotações da cabeça: os modelos mais simples rotacionam a “visão” da câmera
somente para cima e para baixo, modelos mais completos possuem mais dois
movimentos: rotação para o lado e cambagem, este último permite fotografar no
sentido vertical. A fixação numa posição é feita por pressão e esta deve ser
forte para evitar que o peso da objetiva force algum movimento.
2. Peso da objetiva: na maioria dos casos, o peso da objetiva é mais importante
na escolha do tripé e de seus acessórios que o próprio peso da câmera. O prato
da cabeça do tripé é quase sempre fixado no corpo da câmera e o centro de
equilíbrio fica na objetiva, quando utilizamos teleobjetivas (nesta condição a força
que a câmera exerce na cabeça do tripé tende a deslocar a “visão” do filme em
direção ao chão).
3. Prato: este acessório é aquele que sofre maior desgaste e tem a função de unir
a câmera ao tripé; os mais resistentes são de metal. É indicado optar por marcas
que vendem o prato separadamente, pois no caso de perda ou dano, não é
necessário substituir o tripé. A desvantagem dos pratos de metal é que eles são
acessórios dos tripés mais caros.
4. Peso do tripé: este é um fator importante para quem faz longas caminhadas
carregando equipamentos; as condições físicas do fotógrafo e dos assistentes
precisam também ser avaliadas.
5. Altura do tripé: para medir a altura máxima do campo de visão da fotografia,
deve-se somar as alturas do tripé, da cabeça, do prato e a parte do corpo da
câmera desde o prato até o visor. Alguns tripés oferecem a alternativa de
possibilitar o registro de imagens rente ao chão.
6. Capacidade de carga do tripé: Deve-se somar o peso da câmera (com
bateria), da objetiva mais pesada, do prato e da cabeça do tripé.
7. Capacidade de carga da cabeça: verificar na especificação se a cabeça suporta
os pesos da câmera (com bateria) e da objetiva. Nem sempre suportar o peso
significa estabilidade; se o ponto de equilíbrio ficar muito afastado da câmera,
em direção à objetiva, uma das fixações de rotação da cabeça terá sobrecarga.
8. Peças de reposição: parafusos e pratos são peças fáceis de serem perdidas;
a opção, sempre que possível, deve ser pelo fabricante que oferece peças de
reposição.
9. Estabilidade: um teste simples é abrir o tripé e estender as pernas deste; após,
aplicar uma força com as mãos, compatível com a capacidade de carga, e sentir
a estabilidade; caso o tripé balance, é melhor escolher outro.
10. Resistência à água: alguns tripés são mais resistentes para atividades outdoor,
porém a submersão deste equipamento em água salobra, ou salgada, leva a
oxidação dos componentes metálicos.